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domingo, 7 de outubro de 2012

Em busca de quê?


Quando sonhar já não supre, socorra-te. Grite por si mesmo (e tente não se perder). Porque o sonho, veja bem, é um espécie de bicho. Bicho este que cresce e ilude. Dá forças inimagináveis para manter o rumo. Mas não te conta sobre a queda. No entanto, àqueles que fogem de seus próprios sonhos não entendem a beleza de se desiludir. Não é hipocrisia barata (será?). É simples ver mas difícil de acreditar: para respirar é preciso ter um objetivo. O mesmo ocorre em nossas histórias: para viver é preciso ter um sonho. Não tem que ser doce demais ou amargo de menos. Tem que ser sonho. Daqueles que se encontra de supetão. Olhando nos olhos e assustando-se com algo tão seu. É tanta semelhança que chega a dar arrepios. Mas o anseio de sonhar é maior do que qualquer medo. Essa é a vantagem de se compreender que onde há luz também há sombra: aprende-se a conviver com o obscuro de se sonhar. Talvez seja apenas isso: uma repetição eterna das mesmas palavras, das mesmas histórias, dos mesmos monstros...Tenha força para olhá-los nos olhos, caro amigo. Vale a pena levar tombos, se após isso tua reação for limpar os joelhos e buscar um novo rumo. Agora dê-me licença pois vou encontrar com meu monstro, ops, sonho.
quinta-feira, 17 de maio de 2012

Disfarces de uma pessimista

Quando a boneca de pano toma forma, o mundo se assusta. Assusta-se pois uma falta de delicadeza assim, tão enorme, é demodê. Porque ser duro com o mundo é ser gigante aos indivíduos. Tudo balela. A boneca não sofre dores, não chora de saudade ou desilusão. Não. A boneca vive sorrindo, com seus babados a agradar os milhões de pares de olhos que a cercam. Ela não muda por medo de se mostrar, medo de sair do armário e gritar aos mil cantos o quanto viveu de olhos. Assim é o que se faz perceber. Ver o mundo como ele é, e só. Não é pessimismo, devaneio ou pura grosseria. A realidade deve ser bebida em longos goles, demorados e mornos, de acordo com o humor. Eu brindo a uma realidade que não será mais confundida com ignorância, mas com a sabedoria da dúvida. Uma verdade bendita, que emudece os corações moles e dá forças aos mais racionais. Pessoas, compreendam de uma vez por todas: viver não é só achar partes doces de um sonho ou destruí-los com base em desilusão. Viver é, na maior parte do tempo, experimentar as centenas de sensações que nos são dadas. É olhar nos olhos e dizer a verdade, mesmo que ela seja dura ou apenas ideológica. Sim, todos mentimos também. Sim, temos dias de bom e mau humor. Esse vai e vem de partículas de solidão forma o que conhecemos por momento. Enquanto eu puder sorrir, pular, chorar, gritar, demonstrar minhas teorias mirabolantes e ler meus livros velhos...Bem, eu serei tão feliz quanto pinto no lixo. Mas, quando me dizem que minhas palavras demonstram dureza e pessimismo...Ah! Nó na garganta, isso é certo. Não me importo da dissonância entre nossos tons. Sou dura, sim. Pessimista, posso até ser. Mas, tenho certeza de uma coisa: isso faz de mim a pessoa que muitos conhecem e gostam (ou fingem gostar). E, por decência à minha personalidade um tanto quanto louca, não mudo. Não agora, não tem porquê. Me amem ou me odeiem. Eu sou assim e ponto final (ou quem sabe umas belas reticências para provar meu senso de otimismo inconsciente)...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Quando um oceano não me basta

  
"Um dia, em uma cidade na beira do mundo, a maré saiu e nunca mais voltou. O mar sumiu sem aviso prévio. A princípio as pessoas ficaram pouco mais do que intrigadas. Eles continuaram a fofocar e lutar pelas mesmas velhas coisas. Mas logo um silêncio começou a permear o município. Um deserto de magnitude inacreditável estava se formando diante de seus olhos. 
  Semanas se passaram e ainda não havia sinal do oceano. As pessoas ficaram preocupadas. Foi decidido enviar um pequeno grupo para procurá-lo na esperança de trazê-lo de volta. 
  À medida que os dias passavam, mais e mais pessoas procuravam. As pessoas pesquisavam o mais longe possível, mas o mar tinha desaparecido sem deixar vestígios. A terra tranquila e outrora generosa tornou-se dura e inflexível. Em seguida, uma forma apareceu no horizonte. Através de uma explosão de assombro, o povo viu o que parecia ser água caindo e rolando em direção a eles. Uma onda de excitação atravessou a cidade, que observava ansiosamente o retorno do oceano. Mas à medida que se aproximava, esta forma tranformava-se. O que parecia água caindo era de fato cavalos selvagens. Em todos os lugares em que eles olhavam, viam cavalos cada vez mais perto. A excitação voltou-se para o medo. E o medo se tornou pânico, pois parecia que nada poderia parar o seu avanço. Que, como o desaparecimento do oceano veio sem aviso. Mas então ninguém, nem mesmo por um momento, tinha parado para questionar por que o oceano deixou-lhes, em primeiro lugar. 
  As pessoas não tinham escolha a não ser confiarem que os cavalos iriam levá-los ao seu oceano. Sem rédeas ou selas, eles montaram os cavalos em toda a terra estéril. Mas o oceano tinha desaparecido para sempre. E o povo não teve escolha senão se enfrentar a solidão de sua perda. Eles fizeram uma casa para eles em um novo ambiente. Apesar de que seu mundo particular havia mudado para sempre. Eles aprenderam a viver no espaço que oceano havia deixado. Embora a ideia do mar continuasse a pairar sob seus sonhos, eternamente."

Conto extraído do filme "Um refúgio no passado", por Celia Steimer (personagem representada por Emily Barclay).
sábado, 3 de março de 2012

Um salto. Um segundo. Uma descoberta.


Uma curta história judaica, com brilho e encanto...
"Era uma vez um pai que queria que seu filho perdesse o medo, se tornasse um menino cheio de coragem. Então, todos os dias colocava-o sob um pequeno morro e dizia: "Pula, que eu te seguro!". O garotinho sempre pulava. Quando o pai o agarrava, ele se sentia amado. Quando não, ele sentia outra coisa...Vida!"
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eu sei, mas não devia


Verdades sejam ditas: a gente se acostuma. Se acostuma a não viver, a deixar pra amanhã, a cantar afinadinho e seguir o politicamente correto. Acostumamo-nos a uma falta de dinâmica tamanha, que aumenta medos e monstros de armário. A gente se molda ao sim e ao não, sem ver uma saída menos dolorosa...E, se ela existe, será nossa via de regra, sempre! A gente se acostuma ao normal, sem saber que tudo é excentrecidade. A vida é cheia de pequenos detalhes brilhantes, que formam momentos, que criam lembranças, que viram passado e recebem o nome de vida. A gente se a costuma a ignorar esses detalhes, logo, se acostuma a não viver.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Derradeiro


Irei, assim como tu. E não será esse o sentido da corrente? Somos arrastados pelas águas da vida, sem saber o modo ou destino. Sentimos apenas os braços frios d'água, que nos amedrontam e acolhem periodicamente ou as labaredas flamejantes de uma esfera loura. Sem endereço ou direção, mas com o eterno deleite do momento, acompanhado de incontáveis e exuberantes tragos de uma bebida chamada dúvida. Mãe de todos os vícios, capaz de inebriar qualquer ser pensante, causando incerteza sobre o sentido que leva ao céu ou ao abismo. Meu maior prazer é nada saber desse destino meu, mas ter certeza de minha própria capacidade de duvidar. Sinto o calor da brasa e os braços gélidos. No entanto, nada me importa mais do que a brisa que me toca os cabelos ou a chuva que me acaricia o rosto. Eu irei, assim como tu. Rumo ao já desnudo fim.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O velho e a Rosa

Foi sempre uma boa pessoa. Quando criança sua maior diversão era subir pelas laranjeiras do quintal, mostrando seus dentes brancos e olhos cor de chocolate. Sorria diante os animais que o adoravam. Na juventude ateve-se aos mistérios dos livros, em busca de tornar-se um alguém na vida. O tempo passou. Não casou-se. Buscando, entre muitas perguntas, a resposta que lhe traria alívio ao coração: o que era amor?
Mesmo vindo de uma família abastada, preferiu trabalhar para procurar pelo mundo tal resposta. Como sempre fora humilde, não se importava de ser gari ou bibliotecário...Mas nunca esqueceu seu objetivo. Rodou o mundo e nada descobriu. Ele encontrou em seu caminho muitas pessoas, de diferentes idades e rostos. Um dia, resolveu que não descobriria o que era esse tal de "amor" se não conversasse sinceramente com cada um ao seu redor. Voltou pra casa, numa cidadezinha interiorana. Lembrou-se da praça central e rumou, com seu livro nas mãos, ao desconhecido que poderia lhe dar esperança. Sentou-se no banco e começou a observar as flores que cercavam a fonte. Pombinhas andavam de um lado ao outro, bicando as migalhas no chão. Haviam crianças correndo, casais enamorados e a sombra de um belo carvalho. Não percebeu que um menino, em especial, observava-o enternecido. Olhou o garoto e sorriu. E esse mesmo sorriso foi retribuído com candura. Como que em uma fração de segundo, ele percebeu que aquilo era amor. "Mas como pode ser tão simples e, ainda assim ser amor?", pensou o velho homem. Continuou a observar. Sentiu uma garotinha sentar-se ao seu lado, com uma boneca no colo. Cumprimentou-a. A menina cantarolava uma cançãozinha desafinada de criança alegre. Perguntou ao nosso herói o que ele tinha nas mãos.
– É um livro.
– Hum, ele tem desenhos?
– Não, mas tem uma bela história. Fala sobre um homem em busca de uma resposta.
– Qual a pergunta? – indagou a garotinha, cheia de curiosidade e divertimento no olhar.
– Ele quer saber o que é o amor. – disse, meio corado pela mentira sobre o livro.
– Não é uma pergunta difícil. Por que o senhor lê um livro tão bobo?
– Bobo?!
– É, bobo...Talvez o senhor aprendesse mais sobre o amor vivendo ele. Quer saber o que eu acho sobre o amor?
O homem, já desnorteado pelas repostas da mocinha, sorriu e acenou com a cabeça. Sim, ele queria saber.
– Eu acho que o amor é tudo que tem nessa praça. Amor é o modo como cada flor dessas mostra seu perfume sem pedir nada em troca, a não ser a luz do dia; amor é o jeito que aqueles jovens se olham e seguram nas mãos um do outro; amor são essas pombinhas que passeiam sem se importar com nosso descaso; amor é aquele cachorro ali, que lambe o dono, mesmo tendo o menino batido nele agora a pouco; amor é o que tinha nas mãos das pessoas que plantaram essa árvore velha, que hoje nos dá sombra...Amor é o que o senhor carrega nos olhos e nem percebeu a resposta se olhando no espelho. Então eu digo, o seu livro não é tão bobo assim. O senhor é que tem um problemão, esqueceu de ser como eu, curiosa por esses detalhes. Tem muito mais amor por aí. O senhor vai procurar?
O homem tinha lágrimas nos olhos. Pensou no quanto andou, viajou e viu pelo mundo afora. Quanto tempo ele havia perdido e nem ao menos percebeu que não tinha nada de tão valioso. Precisou voltar àquele banco velho de praça e ouvir de uma garotinha, uma criança, que amor era tudo aquilo que ele havia perdido enquanto procurava.
– Não, meu bem, eu não vou mais procurar. Eu vou tentar viver o que me resta... disse, quase a meia voz, nosso velho personagem.
O senhor encontrou a resposta, né?
– Encontrei.
Ele estendeu a mão calosa pela idade e afagou os cabelos loiros da criança. Ele havia encontrado a resposta.
– Qual seu nome, querida?
– É Rosa.
Na primavera seguinte nosso herói veio a falecer. Em seu velório haviam várias pessoas que o conheceram naquela mesma praça. Alguns pensavam que ele era um tipo de jardineiro aposentado, pois todos os dias punha-se a aguar as plantas e cuidar do velho carvalho. Passava as tardes tratando dos pássaros e inventando jogos para as crianças do lugar, criou até mesmo um grupo de debates entre os jovens interessados em literatura. Em meio aquelas pessoas que vinham se despedir, havia um garotinha loira que chorava inconsolavelmente. Sua mãe pegou-a nos braços e perguntou o motivo de tanta tristeza.
É que ele não teve tempo mamãe – dizia Rosa, calada pelos soluços. Enxugando as lágrimas, conseguiu esboçar um sorriso – Ele não teve tempo pra provar pro mundo o que eu ensinei pra ele. Ele se foi, simples assim.
Passaram-se anos e as pessoas mantiveram o ritmo de suas vidas. A praça continuava bela e perfumada, cuidada agora pelos próprios moradores. O que ninguém sabia era que, em meio a tantas flores de campo multicoloridas, havia uma especial...Era uma rosa branca, representando um ser que no passado descobrira a felicidade ali, naquele lugar encantado. Enfim, amor era uma fração de segundos, constituída de pequenos detalhes.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O sorriso

 
Enquanto a cidade se mantém num caos cotidiano eu, que um dia serei adubo aos narcisos, fico sem ar frente o punhado de versos guturais. Sorrio diante minha própria ignorância humana. Não sei organizar minhas palavras para podê-las expressar senão no papel e, mesmo assim, não digo tudo. Sinto vontade de sentar à soleira da janela e o faço. Lá fora há transeuntes num passo frenético. Despontam expressões que apenas uma louca como eu poderia tentar compreender. De certa forma, todos sorriem para a vida. Afinal de contas, amanheceu. Ah, o sorriso. Ele tem mil formas e sentidos e, ainda assim, é apenas sorriso. Tem aqueles que nascem nos olhos e se demoram na face até morrer nos lábios. Outros que são amarelados ou polidos. Existem os que deduram a mentira ou o desejo. Alguns acompanham as lágrimas. Tem os que de tão sorriso viram gargalhada. E, por fim, aqueles que só existem para encantar, vivendo nos cantos de lábios. O que faz do sorriso algo tão especial é a maneira com que o indivíduo o usa. Após tal reflexão me pego sorrindo novamente. E se nós, humanos, tivéssemos a capacidade de sorrir como as crianças? Bem, nós temos o método. Mas nos falta a vontade. Como os seres mais inteligentes da Terra deveríamos procurar menos motivos e mais naturalidade. Quem sabe assim, com cada sorriso não podemos fazer feliz o dia de um outro alguém? Pois eu sei que se sorrio a um estranho na rua esse mesmo riso poderá voltar para mim através da disseminação. Não custa tentar. E, viu leitor, talvez você não me veja hoje, amanhã ou semana que vem...Mas saiba que estarei te sorrindo através de cada verso meio meu, meio teu. Você pode entregá-lo a um outro alguém? Obrigada.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Carpe Diem


“Colham enquanto podem seus botões de rosa
A velhice vem voando
E esta flor hoje viçosa
Amanhã estará murchando

O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.

Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.

Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar."

Robert Herrick
(As virgens que aproveitam o tempo)