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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Começo e fim


O mundo girou. Mudou meu rumo e o doido movimento das minhas pernas. Dos tropeços da vida tão recente, tão fresca e já tão velha. Velha. Palavra cheia de sentidos e pesos. Digo velha sim, sem mais explicações. Mas essa mudança me deu um novo caminho, que parece até ser doce. Uma reviravolta me fez repensar muito e criar ainda mais. Criar minhas novas expectativas, meus mais novos versos ritmados. A continuidade ainda me acompanha em certas manias: meu vício por chuva e seu cheiro sob as flores recém caídas; uns acordes socorristas; o prazer da palavra escrita e cantada; meu café forte e não muito doce. Uma vida de manias antigas que me fazem tão bem. Mas agora, enquanto toca a canção calma e limpa, eu penso no que me espera. Ou será que eu espero? A vida tem muito disso: esperas, atrasos e adiantamentos. Quem sabe, nessas minhas tantas neurastenias, eu não acabe encontrando uma outra alternativa, um meio termo de ouro que me deixe usar os mesmos conceitos nas horas certas? Quem sabe eu não me atraso na palavra dolorida, me adianto no reflexo do instante ou espero a próxima mudança arrebatadora...Enquanto isso, deixo-me largada no calor tardio seguido pela chuva de verão. E lá se foi o mundo girando mais uma vez. Até logo...Até mais...Adeus!
segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ciclos vitais

Era apenas uma garotinha. Presa num corpo de moça. Cantarolava em meio ao tédio rotineiro. Suas preciosidades se encontravam nos livros, pois era neles que se libertava. Vivia em sonhos, devaneios. Nunca colocando em prática. Mas essa garotinha acordou. Como que em um abrir de olhos. Ela já não calaria. Acatar já não faria parte de seu dicionário. Sua opinião passou a importar. Apercebeu-se que uma palavra deixava mais marcas que um tapa com rastro de vermelhidão. E cresceu. Deixou-se absorver pela beleza e fez dela seu ninho. Criou seu próprio mundo, que agora seria pura realidade. Aprendeu a falar de igual para igual, com respeito. Parou de fingir sorrisos. Voltou a dar gargalhadas com gosto e a derramar as lágrimas contidas. Ela sorriu pro mundo e se deixou saborear o momento. Tempo este que ela espera não mais cessar, apenas evoluir na medida do possível, sem tentar ser gente grande antes mesmo de se descobrir jovem. Porque não há maior verdade que a de sentir com a alma e tentar descobrir os valores desta. E aquela garotinha contida, que se modificou com o tempo e aprendeu com as pedras do caminho, hoje se tornou em uma pessoa cheia de manias e confusão. Mas ao errar, se permitiu viver. Sem delimitações. Agora, essa garota tem amigos verdadeiros e esqueceu a sensação de receio ao contar seus pensamentos enquanto conversam. Agora ela se deixa levar pelo bom o velho sorriso encantador e se permite apreciar o próximo. Hoje, essa garota sou eu. Pura e simplesmente.
domingo, 9 de janeiro de 2011

Antagonismo da vida...


Qual a diferença entre reescrever uma história e criar uma nova?Acredito que não há estudos científicos ou análise em gráficos de estatísticas.Justamente por ser algo que se sente...Se distingue pelos momentos que serão ou não lembrados. Quando reescrevemos uma história estamos remoldando algo que já vivemos...Sempre haverá sorrisos alegres,lágrimas e uma desilusão, pois do contrário,não haveria uma releitura.Então tentamos reescrever a história,limpando as lágrimas,estampando os sorrisos novamente e fazendo do final doloroso apenas uma marca de várias batalhas. Mas quando criamos algo novo sempre é necessário saber que tudo será uma surpresa.Uma brincadeira...Um abraço mais protetor...Uma promessa que agora será cumprida.Não há afirmações de que ninguém sofrerá ou as lembranças daquela história que não deu certo simplesmente desapareçam,mas acreditem ou não,uma nova história é mil vezes mais empolgante e até mesmo mais gratificante.Não por ser seu príncipe encantado ou a sorte grande em realizações.Mas sim, pelo simples fato de estar se dando uma segunda chance. Estar levantando de um tombo e se preparando para viver mais uma aventura.Uma história reescrita tem mais chances de terminar de uma maneira mais dolorosa,pois houveram cicatrizes.Mas uma nova história é você que define o fim, pois os erros se farão presentes quase que naturalmente, e então um novo desastre emocional pode ser evitado.O fim de uma nova história pode ser simplesmente a eternidade.E isso, para mim, não tem preço.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Soneto 35


"Não chores mais o erro cometido
Na fonte,há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te recuso, e me convenço

Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso"

Willian Shakespeare